Linfedema
Etiologicamente, linfedema é
uma disfunção do sistema linfático superficial (raramente
atinge o sistema profundo) em que a carga linfática ultrapassa
o débito linfático (que em estado normal são iguais).
Devido a essa sobrecarga, há um acúmulo de líquido
e de proteínas no tecido subcutâneo gerando aumento da medida
do membro, alteração funcional e estética.
As principais complicações advindas do linfedema são
o endurecimento da textura da pele denominado fibroedema, lesões
infecciosas dos vasos linfáticos denominada linfangite e erisipela,
infecção da pele. Os estados infecciosos geram uma progressão
não espontânea do volume dos membros, pois as mesmas lesam
ainda mais o sistema linfático reduzindo ainda mais o seu funcionamento.
A classificação de linfedema em primário e secundário
é o mais comum. Nos primários, ocorre uma alteração
congênita no desenvolvimento do sistema linfático ou uma
obstrução de origem desconhecida. Já nos secundários,
o sistema linfático nasce normal, porém a disfunção
é gerada após algum trauma, cirurgia, radioterapia, neoplasia,
infecção (o mais comum), entre outras.
O diagnóstico é feito através de exame físico
(lesões cutâneas, consistência e textura da pele, sinal
de Godet ou Cacifo e sinal de Stemmer positivos), pela história
clínica do paciente e exames complementares como Duplex Scan (para
excluir uma possível trombose venosa) e a linfocintilografia (que
aponta o grau de comprometimento do retorno linfático e os possíveis
pontos de obstrução). O lipedema ou lipodistofia é
erroneamente diagnosticado como linfedema. A lipodistrofia é um
acúmulo excessivo de gordura e não de líquido como
no linfedema. Há predominância do sexo feminino, relato de
que os tornozelos sempre tiveram volume aumentado, os pés são
preservados, não há sinal de Godet e a consistência
da pele é elástica.
O objetivo do tratamento é diminuir o edema e manter ou restaurar
a função do membro afetado. O mesmo consiste no controle
da obesidade, dos hábitos alimentares e higiênicos (cuidados
com a pele), melhora da atividade física, drenagem linfática
manual, elevação e compressão do membro (através
de meias compressivas, malhas tubulares e/ou enfaixamentos). O tratamento
medicamentoso é considerado coadjuvante. Não há cura,
porém o paciente portador de linfedema deve estar ciente que o
tratamento é eficaz no controle do volume do membro e contra as
conseqüências do linfedema.